Neuralgia do Trigêmeo

O que é a neuralgia do trigêmeo?

       A neuralgia do trigêmeo (nevralgia) é uma quadro doloroso crônico, que afeta a região de inervação sensitiva do nervo trigêmeo, ou seja, a face. Nos pacientes com neuralgia do trigêmeo, estímulos sensitivos mínimos, como escovar os dentes ou barbear-se, podem provocar crises intensas de dor no rosto. 

Quais os sintomas da neuralgia do trigêmeo?

       Os pacientes com neuralgia do trigêmeo referem uma dor no rosto, do tipo choque (alguns pacientes referem como choque elétrico realmente), de carácter paraxístico (vem de repente, de forma súbita), que acomete a parte superior e/ou média e/ou inferior da metade do rosto. Geralmente existem gatilhos (fatores que precipitam a dor), sendo os mais comuns:

- Beber líquidos gelados ou quentes;

- Vento no rosto;

- Fazer a barba;

- Escovar os dentes.

       A imagem típica de um paciente com neuralgia trigeminal é aquele paciente que segura um pano no rosto, e evita ao máximo vento frio. Ele vai ao consultório médico e fica muito atento em relação ao ar condicionado (evita ficar perto devido ao vento frio), muitas vezes já foi submetido a diversas extrações dentárias (a dor da neuralgia do trigêmeo pode ser "sentida" nos dentes e desta forma, ao longo dos anos, os pacientes vão sendo submetido a extrações dentárias que não resolvem a dor). 

Por que ocorre a neuralgia do trigêmeo?

       Existem diversas teorias que tentam explicar o motivo da ocorrência da neuralgia do trigêmeo. A mais aceita atualmente pela comunidade cientifica é que existe um chamado "Conflito Neurovascular" entre o nervo trigêmeo e um vaso - geralmente uma artéria e mais comumente a artéria Cerebelar Superior. (neste "Conflito" o vaso comprime, o nervo trigêmeo e desta forma gera uma área de lesão neural que é instável do ponto de vista elétrico, favorecendo as crises de dor do tipo choque). Além da existência do Conflito Neurovascular, é necessário que o paciente seja "predisposto" a poder apresentar esta dor (tenha uma genética que faça que o nervo trigêmeo, quando submetido a compressão, dispare estímulos sensitivos de forma errática). 

       Desta forma, o paciente teria que apresentar 2 eventos: a compressão neurovascular e a predisposição genética. Isto explica por que existem muitos pacientes que tem compressão neurovascular mas não tem a neuralgia do trigêmeo. 

Como é feito o diagnóstico da Neuralgia do Trigêmeo?

       O diagnóstico é exclusivamente clínico, ou seja, não é necessário nenhum exame complementar para a realização do diagnóstico da neuralgia do trigêmeo. Porém, após o diagnóstico, muitas vezes é aconselhado a realização de algum exame de neuroimagem (notadamente a ressonância magnética de crânio) para estabelecer a existência de um conflito neurovascular e também para afastar as chamadas causas secundárias da neuralgia do trigêmeo.

Doutor, eu tenho um quadro que parece ser a neuralgia do trigêmeo mas a ressonância do crânio está normal. E agora?

       Isto é a regra! Ou seja, a ressonância de crânio excluiu as principais causas secundárias de neuralgia do trigêmeo, como tumores, cistos e esclerose múltipla. Uma ressonância de crânio feita com o protocolo normal (no pedido médico apenas como ressonância de crânio) geralmente não consegue evidenciar (mostrar) o conflito neurovascular. Para observarmos o conflito neurovascular, devemos realizar uma ressonância de crânio específica para neuralgia do trigêmeo (as sequências volumétricas em T2 da fossa posterior - CISS 3D ou FIESTA).

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Na figura ao lado, foi realizada uma fusão de imagens de sequencias de ressonancia de crânio, para melhorar a visualização do conflito neurovascular. Técnicas avançadas são necessárias para este diagnóstico.

Quais os tratamentos para a neuralgia do trigêmeo?

       O tratamento inicial é o medicamentoso. Existe uma medicação chamada Carbamazepina, que é muito efetiva no controle da dor nos pacientes com neuralgia do trigêmeo. Este remédio deve ser prescrito por médico habilitado e apresenta uma série de contraindicações e eventos adversos possíveis, por isto, não se automedique. De uma forma geral, metade dos pacientes com neuralgia do trigêmeo ficam bem com esta medicação e conseguem ter uma relativa qualidade de vida. 

E quando o tratamento medicamentoso não ameniza a neuralgia do trigêmeo?

       Existem diversas opções de procedimentos para o controle da dor nos pacientes que tem neuralgia trigeminal. Estes procedimentos, de uma forma geral, são bastante efetivos no controle da dor. Dividimos estes procedimentos em 2 grandes grupos:

- Procedimentos percutâneos para tratamento da neuralgia do trigêmeo: Neste grupo incluímos a compressão do gânglio trigeminal por balão, a lesão da raíz trigeminal por radiofrequencia (rizotomia) e outras técnicas de ablação (lesão) do nervo trigeminal). A vantagem destas técnicas é a menor invasividade (não requer corte, apenas uma punção), porém, a desvantagem é que a real causa da neuralgia do trigêmeo (o conflito neurovascular na maioria dos casos) não é tratada. E além disso, muitas vezes ocorre uma área de perda de sensibilidade na face após o procedimento. Muitas vezes, após algum período de tempo, a neuralgia do trigemeo retorna.

- Procedimentos cirúrgicos (Descompressão neurovascular de nervos cranianos): A vantagem é uma efetividade bem maior em relação aos procedimentos percutâneos (cerca de 90% dos pacientes ficam sem dor por mais de 10 anos após esta cirurgia), porém os riscos do procedimento em si são maiores.

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Na figura ao lado, temos um exemplo de compressão do gânglio trigeminal por balão. Neste procedimento, uma canula é inserida através da face e por dentro dela, passa-se um balão que é insulflado no cavum de Meckel. Observe o formato do balão, em "pêra", que denota um posicionamento ideal.

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Foto de uma descompressão neurovascular (cirurgia com microscópio), demonstrando o nervo trigêmeo do lado direito comprimido (note que ele faz uma espécie de barriga) pela artéria cerebelar superior.

Qual opção de tratamento escolher ?

       A neuralgia do trigêmeo é uma doença grave, debilitante, que atrapalha e muito a vida dos pacientes. Se infelizmente você ou algum conhecido seu apresentar esta condições, procure um especialista nisto, ou seja, alguém habilitado a realizar todos os possíveis tratamentos (medicação, procedimentos percutaneos e cirurgias) que forem necessários. O tratamento deve ser adaptado ao paciente, sempre.