Neuralgia pós-herpética

     A neuralgia pós-herpética é definida com a presença de dor crônica (que dura mais que 3 meses) que se inicia após o quadro de herpes-zoster. Infelizmente, este quadro ocorre com bastante frequência em nosso meio, particularmente em idosos. 

Como ocorre todo o ciclo da doença?

     Esta doença decorre da infecção por um vírus chamado de vírus varicela-zoster. Este vírus, pelo fato de ser da família herpesviridae (HHV 6), apresenta a propriedade permanecer latente durante anos no organismo humano. Ocorre a infecção inicial pelo vírus e o paciente neste momento apresenta um quadro de febre e erupção vesicular (bolinhas) pelo corpo, a chamada varicela. Grande parte da população brasileira apresentou este quadro quando criança. Após a resolução do quadro, o vírus não morreu. Simplesmente ficou em um estado chamado de latente, alojado nos gânglios nervosos. Com o decorrer da vida, geralmente muitos anos depois, em algum momento de baixa imunidade (estresse físico ou psicológico) o vírus reativa-se, dando início a um quadro de erupção vesicular localizado, geralmente em faixa, seguindo o território de inervação de alguma raiz nervosa. Este quadro é o herpes-zoster. 

Depois do herpes-zoster, todos apresentarão a neuralgia pós-herpética?

     Não. Após o quadro de herpes-zoster, algumas pessoas ficarão curadas e outras apresentarão muita dor no território acometido, a chamada neuralgia pós-herpética. A chance do indivíduo apresentar a neuralgia pós-herpética varia de acordo com certos fatores de risco. O principal fator de risco é a idade. Quanto mais idoso o indivíduo com herpes-zoster, maior será a chance dele apresentar a neuralgia pós-herpética. 

Como é o quadro da neuralgia pós-herpética?

     Os pacientes se queixam de uma dor superficial que piora com o estímulo tátil, muitas vezes to tipo queimação. Muitos referem que é como se a pele estivesse queimada e machucada. Porém a pele esta intacta, o que está afetado é a sensibilidade da região. Como a maioria dos pacientes são idosos, eles costumam deambular de médico em médico, tornando ainda mais complexo o problema. 

O tratamento é efetivo?

     Em alguns casos, ocorre uma resposta total, ou seja, os pacientes ficam livres de dor. Em cerca de um terço dos casos, o tratamento é insatisfatório, permanecendo o paciente com dor. Porém, mesmo nos casos refratários, o tratamento geralmente melhora em parte o quadro doloroso.